domingo, 16 de dezembro de 2007

Tocando em frente - Renato Teixeira


Ando devagar porque já tive pressa

E levo esse sorriso porque já chorei demais

Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe

Só levo a certeza de que muito pouco eu sei

Ou nada sei


Conhecer as manhas e as manhãs,

O sabor das massas e das maçãs,

É preciso amor pra poder pulsar,

É preciso paz pra poder seguir,

É preciso a chuva para florir


Sinto que seguir a vida seja simplesmente

Compreender a marcha e ir tocando em frente

Como um velho boiadeiro levando a boiada

Eu vou tocando dias pela longa estrada eu vou

Estrada eu sou


Conhecer as manhas e as manhãs,

O sabor das massas e das maçãs,

É preciso amor pra poder pulsar,

É preciso paz pra poder seguir,

É preciso a chuva para florir


Sinto que seguir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente

Cada um de nós compõe a sua história

Cada ser em si carrega o dom de ser capaz

E ser feliz


Conhecer as manhas e as manhãs

O sabor das massas e das maçãs

É preciso amor pra poder pulsar,

É preciso paz pra poder seguir,

É preciso a chuva para florir


Sinto que seguir a vida seja simplesmente

Compreender a marcha e ir tocando em frente
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

SERVINDO A DEUS NO TEMPLO - Texto de Caio Fabio

Isaías era um homem servindo a Deus dentro de uma instituição falida: o Templo e a religião de Israel.

Diferentemente da maioria esmagadora dos profetas, que não eram nem da tribo de Levi e nem da classe sacerdotal, Isaías era um ser criado no Templo, entre ritos e as preocupações do ofício sacerdotal.

Mas a Palavra do Senhor veio a Isaías, e ele não só a ouviu, porém dela também teve visões.

E ele vê o Senhor no Seu Santo Templo, cheio de beleza de louvor e adoração!

Somente mantendo o olhar na perspectiva do Santo, e no Templo Eterno pintado de glória, é que se pode subsistir no templo da religião, e cercado pelo “sagrado”.

O “Sagrado” o homem faz, mas o Santo é! — este é o entendimento que pode nos salvar.

Quem imerge o olhar apenas no templo morre sem beleza no olhar.

Isaías ficou no templo, mas foi levado ao Templo de Glória, do contrário, não seria salvo para ser profeta no ambiente do “Sagrado”.

Assim ele profetiza “de dentro do templo”, e brada para dentro e para fora. E contra toda possibilidade de fixação é ele quem anuncia o sonho de um novo céu e uma nova terra.

Sim! Contra os vícios sacerdotais de devoção ao passado e à imutabilidade dos ritos e modos, ele anuncia que não haveria lembrança das coisas passadas, pois Deus faria novas todas as coisas.

Seu clamor aos do templo era simples:

Por que ao invés de vocês ficarem brincando de sofrer e de buscar a Deus pelos ritos, sacrifícios e barganhas [enquanto o coração de vocês está cheio de ódio e rancor], vocês não praticam o que é bom? Sim! Libertando aqueles que estão sob todo jugo criado por vocês ou por outros, mas que esteja aberto à intervenção libertadora de vocês? E por que não apenas praticam o que é amor e libertação ao invés de fazerem rapapés a Deus? Sim! Por que ao invés de se curvarem com aparência de submissão a Deus vocês não fazem da vida de vocês uma declaração desse fato?

Nesse dia ele diz que a oração seria a própria vida, posto que a vida já fosse uma oração vivida em misericórdia, amor e justiça.

Nesse dia...

Jesus também disse que o mundo só veria a realidade do Evangelho se os discípulos se amassem uns aos outros; do contrário, nenhum discurso jamais evangelizaria.

Nesse dia...

Até o templo tem esperança!...

Quem, porém, como Isaías estará disposto a ser serrado ao meio [como ele foi] sem perder nem a doçura e nem a profecia?

Verdadeiros profetas que também sejam sacerdotes sempre serão “serrados ao meio”.

Se, como Isaías, você viu o Senhor, e Dele ouviu a Palavra e acerca Dele teve visões e revelações da Verdade em Cristo, e assim mesmo foi chamado para ficar e profetizar dentro do templo, então, saiba: só vale a pena ficar se for para manter a Palavra da Profecia [que é o testemunho de Jesus e do Evangelho] e também sabendo que se será “serrado ao meio” pela tensão de estar entre a Palavra viva e o templo morto.

Quem, todavia, ouviu a voz de Deus, que a realize em sua vida!


NEle, para quem olham os que vivem,


Caio

11/12/07
Lago Norte
Brasília
DF

Fonte: http://www.caiofabio.com/novo/caiofabio/pagina_conteudo.asp?CodigoCanal=0000703719

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Nem todo final é feliz




Ontem passou na TV o filme Menina de Ouro, dirigido por Clint Eastwood, e este é um daqueles filmes que te faz ir para cama indignado com o final.

Não estou dizendo que o filme é ruim, pelo contrário, é maravilhoso e faz jus as premiações que recebeu (4 Oscars e 2 Globos de Ouro). O filme é um drama profundo e cheio de detalhes difíceis de perceber.

Não pretendo contar o filme, até porque você que está me lendo neste momento pode não ter assistido; mas é inevitável não citar o final do filme, que mais mexeu comigo.

Frank é o treinador de boxe de Maggie, uma grande revelação do boxe feminino na categoria meio-médio. Porém, ao lutar com a campeã da categoria, uma lutadora desonesta, ela leva um soco mesmo após ter finalizado o round e acaba tendo a coluna fraturada na altura do pescoço. Resultado: ficou tetraplégica, nem mesmo a cabeça poderia mais mover.

Ela sente que sua vida terminou, que foi até onde poderia ter ido, e que não há mais o que fazer. Para alguém que alcançou uma carreira meteórica, realizou-se naquilo que almejava, viver numa cama de hospital respirando por aparelhos seria pior do que a morte, seria ver que sua vida não chegou a resultado nenhum.

Ela então pede para que Frank desligue os aparelhos e termine com o sofrimento dela, e no final do filme e realmente isso que ele faz. Existe toda a polêmica da Eutanásia por trás desse final, ficando no ar a pergunta: Vale a pena prolongar a vida à custa do sofrimento físico, psicológico e emocional da pessoa?

Porém, não é só a questão da morte que faz o filme. O que me deixou inquieto e ver que o filme não tem um “final feliz”. Aliás, a vida dos personagens não é nada feliz. Maggie tem uma família que só pensa no seu dinheiro e Frank tem uma filha que não dá a menor importância ao pai. Existem amarguras, arrependimentos e frustrações permeando o filme a todo o momento. Não é um daqueles dramas que “só acontecem em filmes”, mas são problemas e decisões reais, que fazem parte da vida de muitos outros.

Ficou então mais claro para mim que não sei lhe dar com a vida se ela não tiver “final feliz”. A vida sempre precisa “dar certo”, deve “funcionar bem”. É difícil aceitar que as coisas não vão sempre ser bem resolvidas e que nem tudo vai terminar bem. Cada expectador daquele filme certamente queria ver aquela menina se recuperando, levantando-se daquela cama e contrariando todas as declarações médicas sobre seu estado. Mas não foi bem assim, e a vida realmente não é bem assim.

Não sabemos lhe dar com as intempéries, com as dificuldades, com a morte. Confesso meu total despreparo diante de situações extremas. Não consigo aceitar que existem momentos em que temos que escolher a morte como a melhor opção, meu discernimento ainda não alcançou elevado nível. Não consigo entender a dor e o sofrimento como parte de um plano para minha vida.

Por isso o filme me deixou indignado, queria ver aquela menina se levantando, quem sabe o filme pudesse falar de um milagre sobrenatural onde a coluna dela ficasse sã e ela voltasse a lutar. Isso mostra como estou: “com a boca escancarada, cheia de dentes”, olhando para o céu em busca do milagre que faça mudar minha situação difícil. Desejamos o milagre que leve a um final feliz; mas talvez precisamos ver “milagres” onde o final não é tão feliz.

Só fica uma conclusão pra mim: preciso conciliar em mim a vida como ela é e a vida como ela deveria ser na minha concepção. Será que posso?

sábado, 8 de dezembro de 2007

Algumas "pérolas" produzidas pelos "evangélicos"

Leiam esse absurdo:

7 mulheres para cada homem

Baseado nas palavras da Bíblia, o pastor Justino Apolinário de Oliveira, 50, que atua em Vila Nova de Colares, no Espírito Santo, defende que cada homem possa ter sete mulheres. O pastor, que pertence à pequena igreja conhecida como Tabernáculo, cita uma passagem bíblica, do profeta Isaías, para defender a prática.

Em entrevista ao jornal "A Tribuna", Oliveira afirmou que já manteve relações extraconjugais após uma suposta revelação que lhe veio durante um sonho. "Só liguei e disse: 'Olha, estou vendo desse jeito, você aceita?' Se aceitar, vou até seu pai para conversar com ele'. E ela aceitou", lembrou Oliveira, que vive com esta nova companheira há quase três anos após sua ex-mulher o abandonar.
Trocas
Uma dona-de-casa de 24 anos, que mora em Vila Nova de Colares e segue a doutrina da mesma igreja, admitiu que teve relações sexuais com o pastor. Casada há sete anos e mãe de quatro filhos, ela contou à reportagem de "A Tribuna" que seu marido concordou e o pastor teria mandado duas mulheres para o companheiro dela "não ficar sozinho".
Ela disse que dormiu na mesma cama com o pastor e sua mulher, mas que nos momentos íntimos os dois ficavam sozinhos. "Não senti prazer. Fui tudo pelo espírito. Foi de Deus", disse a dona-de-casa.
Pela cidade, alguns fiéis discordaram da suposta troca de casais e abandonaram a igreja. Um deles foi o porteiro Carlos Robson dos Santos, 46: "Ele dizia que estava tudo na Bíblia. Falava, ainda, que os homens tinham que ter sete mulheres virgens ou viúvas", contou.
Passagens da Bíblia
O relacionamento do homem com mais de uma mulher aparece em trechos do Velho Testamento. Mas pastores alertam que a interpretação deve levar em conta o contexto histórico e cultural das épocas.
O presidente da Associação de Pastores Evangélicos de Vitória, Abílio Rodrigues, condena a prática. "Quando se fala em sete mulheres para cada homem, no livro de Isaías, é uma profecia específica para o povo de Israel, que iria viver um tempo de guerra, em que não haveria homens para casarem com as mulheres. Não se pode firmar uma doutrina em cima disso. O apóstolo Paulo explica que o pastor tem que ser marido de uma só mulher", afirmou.

fonte: UOL

site: http://pavablog.blogspot.com/2007/12/7-mulheres-para-cada-homem.html

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Um Pentecostes que resulta em Igreja – Atos 2

No que resultou nosso pentecostalismo? Quais foram os resultados práticos sobre a Igreja do início do século XX advindos da experiência chamada “pentecostal”, ou o “Batismo no Espírito Santo”?

Essa pergunta não é nova; e muitos já propuseram respostas, sejam elas pejorativas ou não ao movimento pentecostal. Não desejo ser mais uma voz negativa, porém, a ler e reler durante esses sete anos de “crente” sobre o evento que aconteceu no dia de pentecostes narrado no livro de Atos dos Apóstolos, eu percebo em muitos pontos que aquele evento não é pentecostal como nos moldes contemporâneos.

Tenho mania de me explicar antes de entrar no texto em si, mas desejo apenas informar aos meus leitores que há muito tempo perdi aquela visão romântica que diz ser a Igreja Primitiva “a igreja verdadeira”. Estou mais para Nietzsche, que afirmava ser Jesus Cristo o único cristão que realmente existiu. Não alimento utopias acerca da comunidade dos apóstolos; mas que existe diferenças entre nós e os nossos pais, infelizmente existem, e são grandes.

Identifico algumas coisa na experiência “pentecostal” primitiva as quais não possuem muito paralelo com os dias de hoje:

1. O evento do Batismo com o Espirito Santo não era o fim em si mesmo. Se ligarmos a promessa de Jesus no capítulo um de Atos com o evento ocorrido no dia de Pentecostes, poderemos entender que toda aquela manifestação espiritual era simbólica. Não entenda “simbólica” no sentido de irreal, mas como “carregado de significado”.

Jesus disse: “... mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra”. Ou seja: o poder do Espírito seria o motor para que o Evangelho fosse anunciado a todo o mundo, aonde houver gente. Sendo assim, o símbolo dessa capacitação espiritual missionária foi a manifestação da glossolalia, o falar em outras línguas, pois tal experiência fala sobre a unificação da mensagem cristã a todos o povos, a reconciliação de Deus com o mundo através da mensagem cristã, que agora alcançaria a todas as línguas e culturas diferentes. Nota-se que aqueles que ouviam as línguas faladas pelos cristãos ali presentes, entendiam em seu próprio idioma o que eles falavam acerca das maravilhas de Deus,

O que venho a afirmar então é que o falar em línguas é um símbolo que Deus escolheu para revelar essa capacitação missionária da igreja que estava nascendo. Hoje em dia exaltamos o falar em línguas, e tais línguas se tornaram realmente estranhas, pois tal dom não é mais fator de unificação entre os povos, mas de uma arrogante superioridade espiritual acompanhado de uma completa indiferença ao chamado missionário de ser cristão e anunciar o evangelho a todas as línguas. Nossa “experiência pentecostal” é um fim em si mesmo, e este fim é simplesmente exibir uma suposta autoridade espiritual. Nota-se que aqueles que ouviam as línguas faladas pelos cristãos ali presentes entendiam em seu próprio idioma o que eles falavam acerca das maravilhas de Deus (At. 2:11). Porém, o pentecostalismo moderno profere uma linguagem e um evangelho tão estranho que não gera cristãos autênticos, mas “crentes” tão mais estranhos quanto suas línguas.


2. O evento do Batismo com o Espirito Santo gerou uma pregação cristocêntrica. O sermão de Pedro, logo após a euforia da manifestação espiritual, tem Cristo como o centro e como a razão da História. Pedro não só fala de Jesus, mas consegue declarar que Jesus é o centro da história. Na mentalidade de Pedro, a morte de Jesus, causada por homens, foi substituida pela ressurreição, que é obra de Deus, e que findará na consumação dos tempos e sua volta triunfante como Messias, que já comecou. Jesus é o centro da mensagem de Pedro e dos apóstolos posteriores.

A mensagem pentecostal moderna não tem Cristo como o centro, mas sim a igreja, as leis eclesiásticas e a manipulação do sobrenatural redundante em benefícios no mundo natural. O movimento pentecostal e o seu filhote, o neo-pentecostalismo, gerou grandes deturpações à mensagem original. Falamos sobre a importância da igreja para a salvação, do legalismo para sermos “diferentes do mundo”, e do poder Espiritual para manipular a esfera natural da vida, num processo sempre alienatório. Esse centro da mensagem pentecostal moderna é incompátivel com a proposta e com o carater de Cristo e da sua mensagem. O evento que aconteceu no Pentecostes fala de unificação, de quebra de barreiras que nos diferenciam, fala de que salvação somente em Cristo e pela Graça, fala de poder para anunciar o Reino.

3. O evento do Batismo com o Espirito Santo gerou uma igreja baseada na comunhão. Quando Lucas fala sobre a comunidade cristã que nasceu depois do evento de Pentecostes, ele cita uma comunidade sem defeitos, e sabemos que isso não existe. Lucas não é um historiador imparcial, mas ele destaca algumas qualidades daquela igreja nascente que são fruto do significado de ser uma comunidade para fora, uma comunidade “de línguas”.
Nota-se que das quatro qualidades destacadas por Lucas, três são qualidades coletivas, que dependem da união e da comunhão entres os cristãos. O que mais me chama atencao é que a experiência pentecostal primitiva gerou uma igreja tão comprometida com o próximo e altruista que Lucas fala dela sempre no coletivo.

A experiência pentecostal moderna infelizmente não caminha pelo mesmo trilho. Ao contrário, o individualismo cresce neste meio, clamufado com palavras vazias de comunhão. O poder e a prosperidade estimulam as reuniões e orações em grupo, e a divisão de bens segundo a necessidade nao é o nosso forte.

Por isso afirmo que não podemos usar o texto de Atos para alicercar e respaldar a experiência pentecostal moderna. Ela não tem ligação direta ou indireta com a manifestação espiritual primitiva, pois não gera igreja no verdadeiro sentido evangélico. Portanto, precisamos repensar e reavaliar este nosso tão estranho pentecostalismo.

E que Deus nos abençõe!